terça-feira, 12 de abril de 2011
ALO ALO REALENGO
unicos blogs dos meus favoritos, lingua ferina, mas tambem pega pesado na
melancolia.
www.oestado.com blogs tuty vaquez
O ABRAÇO NÃO É MAIS AQUELE
Como quase todo carioca que não circula pelas bandas mais profundas da Zona
Oeste de sua cidade, sei de Realengo por “aquele abraço” que Gilberto Gil
lhe dá no famoso samba-exaltação que cantou no exílio de Londres para
anunciar sua volta ao Rio de Janeiro. Na época, o músico baiano também pouco
conhecia do bairro, além do quartel do Exército onde passou por maus bocados
quando lá esteve preso com Caetano Veloso durante a ditadura militar.
Realengo, na canção, é metáfora de um Brasil que não perde a alegria nos
piores momentos de sua história.
“Alô, alô Realengo!” O Brasil inteiro voltou a te abraçar ontem de um jeito
diferente, comovido, solidário à tragédia particular que botou o bairro de
novo na boca do povo. O abraço não é mais aquele, mas a intimidade sugerida
na letra de Gilberto Gil permanece intacta no choro compungido de quem até
hoje nada sabia a respeito de Realengo.
Eu aqui do outro lado da montanha, você aí em São Paulo, a presidente Dilma
em Brasília, todo mundo esteve em pensamento nessas últimas 24 horas em
Realengo, tentando entender a estupidez que incluiu o Brasil na rota dos
massacres em escolas mundo afora.
O lugar que o País inteiro abraçou sem saber direito o que abraçava na
cadência bonita do samba tem agora cara, sentimentos, angústia, desespero,
dor, tristeza e medo documentados em suas ruas pelos telejornais do planeta.
Todo brasileiro conhece um lugar esteticamente parecido em sua cidade, mas
nenhum outro subúrbio conhece drama com a dimensão da tragédia da Escola
Municipal Tasso da Silveira.
No lugar de “Aquele Abraço”, Realengo me traz agora à cabeça o choro-
canção ‘Subúrbio’, de Chico Buarque:
“Lá não tem claro-escuro
A luz é dura
A chapa é quente
Que futuro tem
Aquela gente toda
Perdido em ti
Eu ando em roda
É pau, é pedra
É fim de linha
É lenha, é fogo, é foda
Fala Realengo
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Sobre salario minimo, cazuza e o gen. figueredo
AS COISAS MUDAM | ||
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A Cabeça do Veio

“Sply... vai juntando tudo o que te mando e um dia escrevemos um livro...”
Deve admitir que nem sempre faço as coisas no tempo que acho que o meu pai, o Veio, quer que eu faça. Imagino que esse blog, que a princípio deveria ser um livro ou algo assim, é uma dessas coisas.
Certa vez ele disse:
- Nossa relação é baseada pela afinidade.
Bom... foi mais ou menos isso. O Veio não é o meu pai biológico, mas não por isso é mesmo meu pai. Ele é o meu paizão e como tenho orgulho de dizer “o único capaz de me mandar fazer alguma coisa e eu obedecer mesmo contra a vontade”. Relação baseada no respeito e no amor, o que eu posso dizer mais?
Vou colocar os textos dele aqui. Prometo ser fiel ao que ele escrever, mesmo que as vezes não concorde. Concordar ou não deve ser apenas um detalhe, dessas coisas que se empreguinam com a idade, no caso a minha.